A qualidade do ar na Região Norte está a mudar e os dados confirmam-no. Dois novos relatórios agora publicados analisam uma década de medições e revelam tendências de melhoria em alguns poluentes, desafios persistentes noutros e o impacto decisivo da modernização da rede de monitorização. Estes estudos traçam um retrato científico da qualidade do ar em áreas urbanas, suburbanas e rurais, sublinhando a importância da recolha de dados fiáveis para apoiar políticas públicas eficazes de proteção da saúde e do ambiente.
A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR NORTE) acaba de publicar dois relatórios de avaliação da qualidade do ar na Região Norte, que analisam a evolução das concentrações de poluentes atmosféricos nos períodos 2014–2021 e 2020–2024. Os estudos traçam um retrato detalhado da situação regional, identificam tendências de evolução, fragilidades históricas e os impactos positivos da recente modernização da rede de monitorização.
Embora os dados da qualidade do ar estejam disponíveis ao público, em tempo real, através da plataforma QUALAR, estes relatórios permitem uma análise integrada, comparativa e cientificamente fundamentada da evolução da qualidade do ar nas diferentes zonas e aglomerações da região Norte, bem como da conformidade legal e dos riscos para a saúde pública associados à exposição prolongada a poluentes atmosféricos.
Os relatórios resultam de um investimento estratégico da CCDR NORTE na modernização da Rede de Monitorização da Qualidade do Ar da Região Norte (RMQAR-N), cofinanciado pelo Programa Operacional NORTE 2030 e pelo Fundo Ambiental, num investimento global de cerca de 2 milhões de euros.
Este projeto inclui a modernização das estações, analisadores e sistemas de medição de dados, elevando significativamente os padrões de qualidade, fiabilidade e robustez da informação, em conformidade com os critérios mais exigentes da legislação europeia. A modernização é acompanhada por uma aposta reforçada na comunicação e sensibilização, aproximando a informação dos cidadãos e promovendo um maior conhecimento sobre a qualidade do ar da região.
A análise dos dados evidencia tendências encorajadoras, mas também desafios estruturais que exigem resposta contínua:
• O dióxido de azoto (NO₂) apresenta uma tendência global de redução, sobretudo em zonas urbanas de tráfego rodoviário, refletindo mudanças na mobilidade e nas políticas ambientais.
• As Partículas inaláveis (PM10 e PM2,5) registam, na generalidade, valores médios anuais dentro dos limites legais, embora persistam excedências pontuais associadas ao tráfego, à indústria, a fenómenos naturais, a incêndios florestais e a poeiras provenientes do Norte de África.
• O ozono (O₃) permanece um dos principais desafios, com excedências recorrentes do Objetivo de Longo Prazo, sobretudo em zonas rurais, refletindo padrões regionais e sazonais.
• O benzeno (C₆H₆) e o dióxido de enxofre (SO₂) apresentam concentrações baixas, sem exceder os valoreslimite,não constituindo poluentes críticos no período analisado.
Os relatórios sublinham, ainda, que o período 2014–2021 foi marcado por limitações estruturais da rede, com equipamentos obsoletos e menor eficiência na recolha de dados. A partir de 2022, com a modernização da rede, registou-se uma melhoria clara na qualidade, na consistência e na robustez da informação disponível.
Atualmente, a Região Norte dispõe de uma rede de 21 estações de monitorização geridas pela CCDR NORTE, complementadas por uma estação da Agência Portuguesa do Ambiente, distribuídas por ambientes urbanos,
suburbanos e rurais e representativas de diferentes tipos de influência (tráfego, industrial e fundo), permitindo uma avaliação mais precisa da exposição da população a diferentes poluentes atmosféricos.
A publicação destes estudos reforça a importância estratégica da modernização da rede de monitorização da qualidade do ar da Região Norte, como instrumento essencial para garantir dados mais fiáveis e robustos, apoiar a definição de políticas públicas eficazes e proteger a saúde da população e dos ecossistemas, num
contexto de crescentes desafios ambientais.